Sexta-feira, 23 de Outubro de 2009
Sabes? Não sabes?!

Basta andarmos uma vez na vida de barco, comboio ou metro para ser quase 100% garantido que damos de caras com alguém a pedir uma pequena ajuda monetária…

 

Uns são mais originais do que outros, alguns deles são bem talentosos, outros apenas cheiram mal, há ainda aqueles que tiveram pouca sorte e a quem a vida visivelmente lhes pregou uma partida, ou ainda os que apenas não estão para se chatear a aturar os chefes e trabalham por conta própria!

 

Tocam acordeão, tocam concertina, pedem esmola em estilo rap, exploram cãezinhos colocando-lhes pequenos cestos ao pescoço para depositar as moedas…

 

Mas hoje decidi falar-vos dum talento mais divertido. Podia falar-vos do casal que se auto-apresenta como sem abrigo, que vende carteiras para o passe e canetas do Pato Donald para não andarem a roubar. Ele de longa barba, amarelo esbranquiçada, boné na cabeça e sobretudo seja Verão ou Inverno e a mulher, que me apanhando distraído me pregou um susto da primeira vez que a vi, exibindo mesmo em frente aos meus olhos, umas unhas dignas de concorrer ao Guiness e uma barbicha bem encaracoladinha!

 

Como referi, poder até podia, mas não vou mesmo falar-vos deste casal…

 

Voltando ao talento bem que me leva a escrever este post… Contar anedotas/adivinhas e dizer poemas às beldades da última carruagem do comboio que vai no sentido Cascais é algo que alegra logo a manhã de qualquer um!

 

Entra na estação de Algés e cumprimenta logo a primeira pessoa que encontra dentro da carruagem, com um valente aperto de mão.

Enquanto as mãos unidas e bem apertadas chocalham para cima e para baixo lá vem a pergunta acompanhada de uma pequena palmada no esqueleto com a mão que está livre…

 

Sabes porque é que as galinhas chocam?

 

Quando a vítima é uma das que ainda não o conhece, age de forma tímida e desconfiada. Aliás, muitos daqueles que o conhecem adoptam uma postura mais defensiva quando são abordados.

 

Sabes? – volta a insistir, enquanto as mãos continuam a chocalhar mesmo após várias tentativas de libertação por parte do passageiro.

 

Não sabes? É porque não têm travões…

 

É nesta altura que, com um sorriso rasgado e um É boa esta!, liberta a massacrada mão e dirige-se para o “cliente” seguinte…

 

Sabes qual é o animal mais antipático do Jardim Zoológico?

Sabes?


Não Sabes? É o elefante, que está sempre de trombas! -
esclarece desenhando no ar uma tromba imaginária…

 

Qual é o animal que faz amor com as patas? É o pato!

 

Porque é que o porco anda sempre com a cabeça virada para o chão? Porque tem vergonha da mãe que é Porca!

 

Quem não tem mãos como se chama? Maneta, não é? E quem não tem pernas? Perneta… E quem não tem pilinha? É uma mulher…

 

Sabes? Sabes? Não sabes? Sabes? Sabes? Não sabes? Sabes? Sabes? Não sabes?
Sabes? Sabes? Não sabes? Sabes? Sabes? Não sabes? Sabes? Sabes? Não sabes?
Sabes? Sabes? Não sabes? Sabes? Sabes? Não sabes? Sabes? Sabes? Não sabes?
Sabes? Sabes? Não sabes? Sabes? Sabes? Não sabes? Sabes? Sabes? Não sabes?
Sabes? Sabes? Não sabes? Sabes? Sabes? Não sabes? Sabes? Sabes? Não sabes?
Sabes? Sabes? Não sabes? Sabes? Sabes? Não sabes? Sabes? Sabes? Não sabes?
Sabes? Sabes? Não sabes? Sabes? Sabes? Não sabes? Sabes? Sabes? Não sabes?
Sabes? Sabes? Não sabes? Sabes? Sabes? Não sabes? Sabes? Sabes? Não sabes?

 

E lá continua até ao fim da carruagem, alternando as adivinhas com um ou outro poema a lisonjear algumas das senhoras que ali viajam.

 

Imaginem o número de mãos que não são tocadas ao longo do percurso! Em vésperas de pandemia de gripe no nosso país, esta não é uma prática muito segura… Confesso-vos que não é nada fácil escapar aquela mão sapuda que vem ao encontro da nossa. Ou se recusa convictamente tal aperto ou lá estamos nós condenados a uns bons segundos de “bacalhau” mesmo depois de ingloriamente termos tentado aproveitar aquela gordurinha acumulada para deixar escapulir os nossos dedinhos! Os únicos que se safam são aqueles que dormem profundamente (ou pelo menos fingem), apesar de uma pequena insistência não deixar de ser feita.

 

Como o melhor se guarda para o final, deixo-vos aquela que para mim é a piada mais brilhante…

 

Vê lá se sabes esta! Quem não tem pais é o quê?

 

Sabes? Sabes? Não sabes?

 

É órfão…

 

E quem não tem avós?

 

Sabes? Sabes? Não sabes?

 

Quem não tem a voz é mudo!

 

A melhor de todas, não concordam?

 

E assim se transforma um trajecto que tinha tudo para ser monótono e entediante num verdadeiro espectáculo de Stand Up Comedy!

 

AH! Mas não é tudo… estava a esquecer-me de um pormenor importantíssimo e que muda todo este cenário. Diga-mos que o torna mais molhado.

 

O senhor que no final das suas actuações confessa ter estado internado durante alguns meses depois de um grave acidente de comboio e como tal arranjou esta forma de pedir uma pequena ajuda para minimizar as suas dificuldades, não tem a sua dentição completa e evidencia uma pequena deficiência na fala… Está visto que quando ele se aproxima, mais parece que está a chover. A última vez que ele me abordou esteve em grande. Aquilo é que foi ver disparos e mais disparos em todas as direcções. Efeitos da contra luz. Camisola, calças, mãos, nada escapou aos gafanhotos!

 

E pronto, são assim as vantagens e desvantagens de andar em transportes públicos.

 

P.S.: O que me vale é o gel desinfectante que trago na mochila!


sinto-me: Seguro, aqui!

publicado por Arroto Azul às 12:53
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Terça-feira, 20 de Outubro de 2009
Em Dias de Chuva...

... como o de hoje, em que para além das fortes pancadas de água costuma estar uma ventania que não se aguenta, eu ao contrário da maioria dos comuns mortais não uso chapéu de chuva!

 

Manias!

 

Habituei-me a não ter de transportar tal objecto, que me ocupa espaço na mochila, que mesmo o mais resistente se vira do avesso e as varetas se partem com as rajadas de vento, que depois de utilizado nunca sabemos muito bem onde o deixar ora porque deixa o chão do corredor ou do vão de escadas molhado, ora porque para os mais superticiosos não deve ficar aberto dentro de casa porque dá azar... enfim, uma panóplia de razões que contribuíram para a minha aversão ao chapéu de chuva!

 

No entanto, nos últimos, vá, 15 ou 20 anos até utilizei chapéu...  é o que dá acompanhar senhoras que o usam e que são mais baixas do que eu! Acabo por segurá-lo e seguir o nosso caminho. Não sempre. Mas quase... nas restantes vezes sigo eu o meu caminho a passo mais acelerado, principalmente se estivermos a chegar ao destino. Acabo por me molhar menos!

 

Lembro-me de uma vez que ainda cedi à tentação de o levar. Acabou por não sair da mochila... a chuva não justificava!

 

Hoje ainda peguei nele. Desci as escadas, abri a porta da rua vi, que não estava a chover assim tanto vi mal e ali ficou...

 

 

 

No entanto e à falta de chapéu costumo levar comigo duas coisas que não ocupam muito espaço...

A SORTE e as minhas PERNINHAS para uma bela corrida! Em muitos anos, hoje só funcionaram as perninhas... a sorte deve ter ficado a na caminha, a conselho do Marco Fortes

P.S.1: Cheguei a casa tive de passar os pézinhos por aguinha quente!

 

 


sinto-me: Molhado!

publicado por Arroto Azul às 19:53
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Quinta-feira, 17 de Setembro de 2009
A Unhaca Esquiiiiinhaaaa... O Regresso!

Numa altura em que muito se fala sobre começarmos a usar, ou não, máscaras de protecção contra a gripe H1N1, eu deixo aqui um outro tema de discussão... Será que não devemos nós, utilizadores de transportes públicos, começar a usar um capacete contra unhas voadoras?

 

Não é que o tema do corta unhas me seja particularmente querido, para voltar a falar sobre ele. Confesso que gosto de cortar as minhas unhas e dá-me um certo prazer a arte de tirar aqueles cantos que me começam a magoar os dedinhos dos pés. No entanto, este é um ritual que eu insisto em manter privado não sujeitando ninguém a ter de levar com as minhas unhas voadoras. Voadoras e saltitonas. Algumas são dotadas de ambas as capacidades...

 

A verdade é que, depois de já ter lido e ouvido sobre algumas experiências vividas, eu próprio já ter presenciado situações em que penso nada mais me irá surpreender, eis que fazem o favor de me reavivar a memória e fazer saber que existem pessoas bem limitadas(zinhas).

 

Com o seu óculo de ver a caminho da ponta do nariz, esta "senhora" de meia idade, pedindo licença, sentou-se ao meu lado para partilhar a viagem de cerca de 20 minutos até ao TagusPark! Eu por acaso até prefiro ir sozinho. De entre várias razões eu escolho a de que os espaços entre bancos foram pensados com base na média de alturas das pessoas de há coisa de 30 anos atrás.

 

A determinada altura apercebi-me que esta personagem, olhando para um dos seus dedos soltou um gemido de dor. Baixinho, suavezinho, mas um gemido de dor.

 

Uma daquelas peles ao canto do dedo, que doem que se farta… pensei eu. Segundos depois a dita “senhora” saca da sua arma lapidadora e começa a cortar a unha que estava em excesso! Qual pele qual quê? Cavilha rija, para aí dos seus 50 e tal anos de idade! Aquilo é que foi vê-las a saírem disparadas contra o vidro do autocarro, em direcção ao senhor e bancos da frente.

 

Perante tal espectáculo, fixei meu olhar incrédulo e esbocei um sorriso irónico, não obtendo mais do que a sua indiferença. Continuou como se nada fosse, perante mais um ou dois olhares de espanto…

 

Realmente as pessoas insistem em não saber onde termina a sua liberdade e começa a dos outros. Em não saber distinguir que estar à vontade não é à vontadinha e que para sermos respeitados temos de nos dar ao respeito.

 

Por esta altura a senhora lá continua a sua vidinha, impávida e serena como se fosse a única à face da terra…

 

Os restos mortais das unhas, esses com toda a certeza irão a apanhar o 112 durante mais algum tempo. Talvez nos voltemos a encontrar um destes dias!

 

P.S.: Só tenho pena de não ter havido reacção ao meu olhar indiscreto. Gostava de lhe ter chamado “BARDAJONA”!


sinto-me:

publicado por Arroto Azul às 13:42
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Terça-feira, 15 de Setembro de 2009
R.I.P. Patrick Swayze

 

(Fonte: www.getback.com)

 

 

 

 

Só para relembrar que o "Cancro" é um cobardolas e um belo dum Cabrão!

 

Aparece sem avisar e ainda por cima diverte-se às custas do pessoal enquanto lhe dá gozo! Esmifra quem quer que seja até ao tutano e parte para outra. É uma espécie de parasita... alimenta-se à custa da saúde dos outros, tornando-os praticamente irreconhecíveis!

 

A todos os que lutam ou lutaram contra ele e que saíram ou não vencedores fica aqui expresso o meu ENORME RESPEITO, pois é uma batalha que só pode ser travada com muita Coragem e Dignidade.


sinto-me:
música: "He's like the wind"

publicado por Arroto Azul às 11:47
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Quarta-feira, 9 de Setembro de 2009
Bombástico

Esta manhã fiz a mais fantástica travessia do Tejo da minha vida…

 

As águas do rio estavam calmas, o silêncio que se atravessava era apenas interrompido pelo ruído do motor…

 

No lado nascente o céu vestia-se de tons alaranjados, à medida que o Sol ia surgindo envergonhado, atrás das nuvens e de uma espécie de neblina resultante da chuva que começava a cair lá ao longe. O lado poente estava mais triste, pintado com tons carregados, denunciando o mau tempo que estava a caminho.

 

Quem vem acompanhando aqui o estaminé, já sabe do meu fascínio por este fenómeno. E foi sentando numa espécie de bancada central na zona exterior do cacilheiro que o pude apreciar… 

 

Era perante este cenário simbiótico de luz e escuridão que os raios que nasciam no céu, se rasgavam num movimento que culminava com a libertação de toda a sua energia em destino incerto, no mar, em terra…

 

Dava para apreciar e perceber cada aresta de todas aquelas linhas de energia desgovernada. Os clarões surgiam de todos os lados. A minha atenção focou-se na margem sul do Tejo, à medida que a Lisboa nos abraçava.

 

Em terra, a iluminação cedia, apagando-se a cada descarga mais violenta. Resistia e voltava a acender-se segundo mais tarde… mas sem sucesso!

 

No mar prateado e com a vista perdida no horizonte cinzento, a sensação era a de que estávamos a olhar um vidro rachado de cima a baixo!

 

Sem esperar, assisti a algo que me cortou a respiração… um dos relâmpagos que aterrou em pleno rio, terminou com uma espécie de explosão! Foi assim uma coisa…

 

Seguiram-se mais e mais relâmpagos, os trovões cada vez menos espaçados e mais ruidosos…

 

Foi o momento alto do meu dia, infelizmente sem máquina fotográfica. Ficam aqui estas simples palavras incapazes de transmitir esta viagem, mas que de alguma modo servem para mais tarde eu recordar…
 


sinto-me: Eléctrico

publicado por Arroto Azul às 11:40
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