Sábado, 22 de Outubro de 2005

Uma Visita ao Cemitério

Durante toda a nossa vida, habituamo-nos a ouvir os mais velhos a contar as suas histórias. Algumas resultantes das suas experiências de vida, outras já vinham dos seus antepassados e são uma espécie de passagem de testemunho. A verdade, é que quando essas histórias nos estão a ser contadas, muitas vezes pela a enésima vez, nós esperamos ansiosamente pelo seu fim visto já as sabermos de cor. Em alguns casos é verdade, e nós já as conseguimos soletrar do princípio ao fim, noutros nem por isso e quando um dia mais tarde já não temos perto de nós a pessoa que nos repetia constantemente essas histórias, paramos para pensar em como agora elas nos fazem falta. É com a passagem de testemunho destas histórias que um dia mais tarde iremos ser relembrados, foi algo que eu passei a compreender melhor quando deixei de as ouvir constantemente. Pois agora muitas delas eu queria relembrar e não sou capaz. Felizmente, algumas ainda foram registadas como é exemplo esta pequena história que o meu avô costumava contar e que alguns risos arrancou a quem foi contada…

“No cemitério da aldeia onde o silêncio campeia, vi um drama que eu vou contar. Era dia de finados e os mortos muito animados lá andavam a dançar. No meio, estava o coreto todo pintado de preto, feito com ossos da testa e os esqueletos que beleza, cantavam a portuguesa para dar inicio à festa. Mas, às tantas houve molho com um esqueleto zarolho que disse sem receio algum:

- “Noutros tempos fui polícia e cheinho de carícia parti os ossos a um!

Um esqueleto irritante disse com ar arrogante:
- Esta festa é de arromba!

Foi ao Zeriquitela, arrancou-lhe uma costela e deu-lhe com ela na tromba. Ouve-se o piar dos mochos, vêem-se marrecos, coxos e os mortos a gritar. Tinha o coração em chama, acordei estava na cama, foi então que vi era tudo a sonhar.”

Nós, só desaparecemos verdadeiramente, quando deixamos de ser lembrados por todos aqueles que gostam de nós. Por isso mesmo, e para que não caia no esquecimento, deixo aqui o registo de uma história que ilustra bem a boa disposição de quem deixa muita saudade… Alegre e divertido, sempre com um sorriso nos lábios, pronto para uma boa gargalhada. Gostava de ver os outros sempre bem dispostos e à mesa ninguém podia ficar com fome… que o diga Tio Neon, tantas vezes acusado de andar a comer pouco!

Sempre contigo…

publicado por Arroto Azul às 00:00
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