Sexta-feira, 4 de Agosto de 2006

Limpeza

Durante as duas últimas semanas as minhas manhãs foram de trabalho no âmbito da Conservação da Natureza da Paisagem Protegida da Arriba Fóssil da Costa de Caparica (P.P.A.F.C.C.). Para que o Tio_Neon visse como é duro colocar em prática as coisas que está sempre a defender na teoria, arrastei-o comigo nesta árdua tarefa para mim bem familiar, já que desde há uns anos para cá tenho um papel activo na limpeza e manutenção (não só na P.P.A.F.C.C., como também em outras zonas do nosso concelho e concelho do Seixal) daquela que é uma zona também por mim frequentada em alturas de lazer.
 
Enquanto trabalhava, pensava em como seria a melhor maneira de descrever tudo aquilo que os meus olhos viam…

Descrevendo apenas um dos dias em que nos dividimos em 2 grupos de quatro elementos… O meu grupo foi para um parque com uma dúzia de metros quadrados, o que resultou em quase duas horas de puro entretenimento!
 
Comecemos então… embalagens de fast food, caixas de cigarrilhas, tampas de garrafas, as próprias garrafas, de plástico ou de metal, garrafas de iogurte, papéis de rebuçados, os respectivos rebuçados para a tosse, caixas de medicamentos para a constipação e para a impotência sexual, toalhetes, tampões de automóveis, piscas partidos, as beatas dos cigarros (alguns dos fumadores julgam-se mais civilizados e colocam as beatas dentro de uma garrafa de plástico todas arrumadinhas, no entanto apercebemo-nos rapidamente que tanto fumo deve ter-lhes atrofiado o cérebro quando encontramos essas garrafas, nas bermas da estrada, deitadas pela janela de um qualquer automóvel) maços de tabaco, guardanapos, todo o faqueiro e copos de plástico utilizados durante o piquenique, velas, macumbas (STOP!) travessas de barro, cobertas com um pano ou uma toalha, recheadas com milho, fruta, por vezes fígados ou outros órgãos de animais, charutos de boa marca, mais velas, galinhas presas às árvores (Continuando…) os restos das espinhas da sardinhas, cuecas, meias, t-shirts abandonadas, embalagens com sombra para os olhos, rímel, batons.
 
Mas podemos encontrar muito mais, algumas até que poupariam trabalho a quem quisesse fazer uma sondagem, sobre qual a marca de preservativos preferida dos portugueses. É escusado andar de porta em porta ou gastar dinheiro em chamadas telefónicas… é mais prático visitar um qualquer parque de merendas deste país… Embalagens de várias marcas em número interminável, interminável, interminável, interminável, preservativos usados, alguns bastante ressequidos e queimados do sol, outros ainda quentes, mas da noite anterior.
 
Chegando perto dos arbustos e dos pequenos pinheiros, podemos até pensar que chegou o Natal, já que estes parecem estar enfeitados com fitas de papel higiénico. Num dos lados dos pinheiros, encontramos sempre uma casa de banho… é típico, já sabemos o que vamos encontrar… muito mau cheiro, papel a cobrir o belo do presente tão cobiçado pelos pequenos insectos voadores. No entanto, pergunto-me se o Homem ainda não aprendeu a tapar a sua bela cagada? É que até os cães, depois de fazeres o seu cocó, costumam tapar! É nestas alturas que ponho em dúvida a “Inteligência” do Homem!
 
Recordo o ano passado, em que mais ou menos por esta altura, perto das nove horas da manhã encontrámos um valente “bolo” logo ali atrás de um arbusto, pertinho das mesas dos parque… Ainda bem que não tinha comido quase nada ao pequeno-almoço!

Pois é, basta apenas uma manhã a apanhar lixo num pequeno parque para nos dar-mos conta e começarmos a pensar em coisas que nunca sequer imaginámos…
 
Confesso que me irrita profundamente, as senhoras e os senhores que estão na paragem do autocarro, assoam-se e deitam o seu lenço de papel para o chão, como se fosse uma mensagem confidencial e se autodestruísse em alguns segundos. Que raio passa na cabeça das pessoas quando fazem isso? Eu, só encontro uma explicação, que é serem parvas. Será que em casa, quando se assoam a um papel também o deitam na divisão da sala onde se encontram? Para mim, a rua é como se fosse uma casa em tamanho gigante, com várias assoalhadas, e como em casa não deito lixo para o chão na rua também não o faço, afinal de contas usufruímos diariamente desse espaço e é bom que se possa andar pelas ruas com o mínimo de asseio. O mais giro é que quando chamamos à atenção dessas pessoas que praticam acções como a que descrevi anteriormente, ainda acabam por se sentir ofendidas e responder mal, quando por sorte não acabam por partir para a violência. NÃO TOLERO A IGNORÂNCIA GRATUITA.
 
Acho, que na nossa educação havia de ser obrigatório passarmos por uma experiência como esta… apanhar lixo numa zona bastante frequentada, nem que fosse uma vez na vida. Com toda a certeza, nunca mais seria esquecida e contribuiria sem dúvida alguma para combater esta ignorância. É que apenas três horinhas a apanhar, aquelas pequenas coisas como uma simples lata, que demora um segundo a deitar para o chão e milhares de anos a ser “consumida” pela natureza, dá para uns diazinhos de dores nas costas e nas pernas…
 
O mais curioso, é que hoje limpámos aquilo que alguém sujou ontem, possivelmente se não o tivéssemos feito, essas mesmas pessoas estariam lá hoje, novamente a criticar dizendo que os parques estão todos sujos e ninguém limpa!
 
Limpamos num dia, no outro a seguir já está a caminhar para o mesmo… isso foi perfeitamente visível, já que à medida que os dias iam passando e passávamos de parque em parque eles voltavam a estar como se não estivéssemos lá estado no dia anterior…

 

publicado por Arroto Azul às 00:51
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2 comentários:
De Andre modesto a 10 de Junho de 2008 às 18:33
Concordo, nunca apanhei lixo nenhum, mas sempre que posso mando uns bitaites a quem pratica essas acções...e apanho eu, na intenção de que sigam o meu exemplo. Estou a por em causa a minha ida á praia por causa do que por lá se encontra, beatas é as toneladas, apagam-nas na areia e deixam-nas lá, cheguei a ver um penso higiénico, esticado, ensopado com sangue...meu deus! isso não apanhei...mete-me nojo tudo isso, e é preciso não esqueçer quem leva os seus adorados cães pra cagar, ao relvado frente ao prédio onde as crianças brincam, e as pessoas passam...
Existe uma falta de civismo enorme, felizmente existe o futebol para o povo ficar civico. :S
De Arroto Azul a 22 de Julho de 2008 às 15:16
Acontece muitas vezes chamar-mos a atenção de alguém e ainda sermos considerados os maus da fita!!!!

Realmente a mentalidade das pessoas ainda tem muito que evoluir!

Parabéns pelo teu civismo.

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