Domingo, 24 de Setembro de 2006

Arroto Azul nas Vindimas

No fim-de-semana passado eu e o meu amigo Vespas fizemo-nos à estrada e fomos até uma aldeia perto de Ourém, ajudar nas Vindimas.

Assim que o convite me foi feito, não hesitei em aceitá-lo. Isto porque, seria uma experiência diferente, enriquecedora e porque acima de tudo seria partilhada com os meus amigos, o que iria tornar o fim-de-semana bastante animado.

Depois de cerca de 180 km, em cima de uma Honda CBF500, excepcionalmente cumprindo todos os limites de velocidade, havíamos chegado (há a salientar que esta foi a minha primeira grande viagem de mota).

Chegámos a meio da tarde, as vindimas já tinham começado um dia antes e por isso não havia tempo a perder. Foi chegar, vestir a roupa de trabalho e começar a faina.

O tractor ia buscar os bidões com as uvas por volta das dezanove horas. Até lá tínhamos de apanhar todas as uvas. Foi com boa disposição e muita conversa, para que não fossemos comendo as uvas enquanto as apanhávamos, que rapidamente demos conta do recado. Agora, era só esperar pelo tractor que as iria levar do campo até ao tanque onde iriam ser despejadas.


Já com as uvas dentro do tanque, estava na altura de começar a parte mais divertida. Pisá-las… E assim foi. Vespas, eu e mais dois amigos convidados, saltámos lá para dentro, de pés ao léu e cheirinho a chulé. Seguiram-se então cerca de duas horas de pisadelas. Inicialmente, ao pisarmos as primeiras uvinhas temos vontade de citar a frase: “Ai caaaa nooooojo!”, mas depois de começarmos a ficar todos chafurdados e começarmos a sentir os pés bem quentinhos, já nada nos incomoda.

Conforme as uvas iam sendo pisadas, o sumo que se gerava, passava por uma pequena abertura, no fundo do tanque, coberta por uma peneira que evitava assim que grande parte das peles e das grainhas das uvas se esgueirassem para dentro do recipiente, do lado de fora do tanque que rapidamente se ia enchendo da futura “pomada”.

Depois da maior parte das uvas terem sido pisadas, passou-se à fase seguinte que consistiu em juntar tudo o que sobrou num enorme bolo e prensá-lo para aproveitar o maior mosto possível. Ao mesmo tempo o sumo de uva que ia enchendo o bidão, era transportado deste para as pipas, que estavam na adega, através de cântaros, para aí ficar a fermentar.



O trabalho tinha terminado por esse dia e foi sob um imenso céu estrelado que tomámos uns merecidos banhos antes do não menos merecido jantar. Já há muito tempo que não experimentava uma sensação assim tão espectacular… parecia que quando se olhava o céu entrávamos noutra dimensão e nos perdíamos em toda aquela escuridão, ao mesmo tempo que podíamos apreciar estrelas impossíveis de vislumbrar nestas cidades de iluminação tão ruidosa. A última vez que tinha apreciado assim tão bem o céu estrelado foi em Badocha, mas fazê-lo enquanto se dão uns mergulhos…

A noite terminou no café central com uma jogatana de matrecos, rodeados de indivíduos, com cabelos mais curtos de lado e compridos atrás a imitar um vocalista de uma banda heavy metal, passando constantemente com a mão pela parte do cabelo junto ao pescoço, de modo a manterem a forma de um escorrega. Tudo isto, enquanto se podia ouvi-los dizer: “Eu cá prefiro ter uma motorizada e dinheiro para a gasolina para poder levá-las a passear, sim porque elas hoje em dia são muito independentes…” enquanto o amigo interrompia dizendo: “eu cá vou comprar é um Ferrari para poder ter as mulheres que quiser!”.

No dia seguinte, acordámos ao som do latir de para aí uma dezena de cães vizinhos…

Era altura de voltar a formar um novo bolo e prensá-lo novamente. Por isso enquanto o resto dos ajudantes ainda dormiam eu e Vespas, decidimos adiantar trabalho. Depois de exercitarmos os músculos logo pela manhã aproveitámos para tomar mais uns banhinhos no tanque.
 

Este foi sem dúvida um fim-de-semana diferente, com muita galhofa e paródia à mistura. De certeza, que a colheita deste ano dará uns dos melhores vinhos dos últimos anos. Para já, o que sei é que valeu o esforço, já que tanta espremidela deu mais de mil litros de vinho!


Nota muito importante: Grande parte deste sucesso teve origem no tamanho dos meus pés!

publicado por Arroto Azul às 00:00
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