Terça-feira, 25 de Setembro de 2007

Diário das Vindimas

Pelo segundo ano consecutivo lá parti à aventura das vindimas...

Depois de o ano passado ter surpreendido tudo e todos com o meu 46/46,5 não poderiam dar-se ao luxo de desperdiçar este meu talento para pisar uvas! Ainda não tinham acabado as vindimas do ano passado e o convite para o próximo já estava garantido e claro desde logo aceite.

Depois de um ano de interregno Xamakita voltou a juntar-se ao grupo e foi logo pela manhã que seguimos viagem até Ourém. Enquanto a mãe de Anokas comprava todas as revistas e jornais da estação de serviço de Santarém, aproveitámos para tirar a foto de grupo.

Já com a Dona Graça de volta, carregando uns kilitos de papel que nos iriam entreter alguns minutos, seguimos viagem...

E assim foi, lemos as gordas descobrimos que uma relação extra conjugal pode ter influência positiva num casamento, descobrimos quem se divorciou de quem nas últimas 24 horas, tudo isto enquanto a Dona Graça relatava os casamentos a que tinha ido... quer dizer continuava a descrever, pois este era o tema de conversa desde que tínhamos iniciado viagem. Ainda houve algumas tentativas, embora falhadas , por parte de Vespas em abrir as janelas para o ruído que se gerava pela deslocação do vento intimidasse a senhora, mas... não resultou! Sempre bem disposta a mãe de Anokas acabou por alegrar a viagem.

O nosso destino começava a fazer-se mais perto ao mesmo tempo que a nossa barriguinha começava a fazer aqueles barulhos estranhos como que a pedir que caia uma bucha lá dentro... Ora, um pedido destes não se pode negar e assim que descarregámos as malas e vestimos a roupa da faina fomos dar ao dente umas maravilhosas carcaças a lenha, estaladiças que parece só se encontrar nestas locais longe das grandes cidades, recheadas com manteiga e um queijo delicioso.



Claro que o cafézinho a acompanhar também não podia faltar...



Repostas as energias já nada nos impedia de dar início ao trabalho!Carregámos os baldes até às vinhas, pegámos nas tesouras e mãos à obra. Mal sabíamos o que nos esperava... este ano éramos menos a vindimar, parte da vinha foi queimada pela vaga de calor, o que dificulta a vindima, perdendo-se muito tempo a separar as uvas secas daquelas que estava boas para fazer o vinho. Tudo isto a juntar à inércia de parte do grupo dificultou um pouco as coisas. Mas nós não somos fáceis de deitar a baixo e Vespas e eu estivemos ao nosso melhor ao longo de toda a tarde. Xamakita a Anokas já nos apelidavam de marretas, pois falámos e cascámos em toda a gente o dia inteiro... tudo a brincar... a brincar...

No final do dia já nem eu próprio me podia ouvir... mas passou depressa! Foi um dia bastante animado, cheia de boa disposição pois só assim era possível suportar o calor que se fazia sentir e claro o trabalho de cortar uvas não propriamente a melhor coisa do Mundo para se fazer... Mas é claro que sempre dava para provar uma uvinha ou outra e descansar um pouco.



A tarde já ia bem avançada e era hora de pousar por alguma tempo as ferramentas de trabalho e recarregar baterias. Primeiro para relaxar um banho fresquinho no tanque (andamos a ficar mal habituados...).



Já com menos calor e mais descontraídos, enxugámos e fomos provar os dotes culinários de Dona Graça. Jardineira com ervilhas, bolo mármore e pudim que se revelou uma sobremesa afrodisíaca, enquanto que a jardineira nos provocou gases que fomos libertando ao longo da faina vespertina.



Ainda havia muito trabalho pela frente e apesar da vontade ser muita não poderíamos ficar a descansar quem sabe a fazer mesmo uma sesta! Regressámos ao trabalho e só terminámos quando o Sol se pôs. Reunimos todas as cestas carregadas de uvas e esperámos pela camioneta que ia levá-las até ao lagar. Ao todo reunimos 25 cestas e meia...



Descarregámos as uvas no lagar que acabou por ficar com este aspecto...



Estava tudo pronto para se iniciar a próxima etapa, para mim a mais divertida... Com o tanque cheio começámos a pisar as uvas. De início, uma sensação algo desconfortável , pois os pés começavam a ficar cobertos com aquela goma da uva. Passado aquele desconforto inicial o desejo é de esmagar mais e mais, procurando os cachos prontinhos a rebentar! Os pézinhos esses começam a libertar-se de todas as calosidades, ficando cada vez mais macios. Qual Corporacion qual quê!! Vindimas é que é!

Sempre incansável Dona Graça tratava de nos alimentar... Presunto, queijo, pão, rissóis, pastéis de bacalhau, batatas fritas, melão faziam com que as paredes do nosso estômago não se colassem entre si. Enquanto isso, os pés na sua independência continuavam a fazer o seu trabalho!



Uma vez pisada a grande maioria dos cachos, estava na altura de formar o chamado bolo e dar-lhe um apertão através de uma espécie de torno, o que iria permitir espremer todo o sumo que ainda restava.



É o que se chama espremer até ao tutano...



Nada mais se podia fazer nessa noite... O apertão estava dado, o sumo continuava a escorrer para o bidão, restava apenas esperar pelo dia seguinte, apanhar o que restava das uvas e voltar a fazer tudo de novo com a nova remessa!

Já passava das 10 horas da noite... O banhinho de água quente apresentava longas filas de espera. Não estávamos para isso. Banho no tanque e a seguir lavagem de mangueira. Foi nesta altura que decidimos mostrar o nosso outro lado...



A boa disposição não faltava mesmo depois de
um dia tão cansativo...


Depois de uma tentativa falhada de jogar uma matraquilhada no café, já que não conseguimos tirar da lá outros ainda mais viciados que nós, nada mais restava senão voltar a casa, prepara a caminha e descansar para o dia seguinte, que ainda nos iria dar muito que fazer!



Noite mal dormida, ouvindo os cães a ladrar, os galos e galinhas fazendo barulhos, que pareciam portas mal oleadas a abrir e a fechar.
Xamakita e Anokas tinham levado os seus tampões para os ouvidos e dormiram profundamente toda a noite. Acordei sem saber muito bem qual a parte do meu corpo que não me doía. Estava a precisar dum bom pequeno almoço. E assim foi, eu e Vespas, que também não tinha dormido bem e se queixava do mesmo mal fomos ao encontro de duas tostas mistas e Ucal fresquinho que nos esperavam ali no café da região.

De volta a casa, de volta à faina. Mais uvinhas, mais pisadelas e mais apertões. Mais banho no tanque para a despedida. Bacalhau à Braz para o almoço, gelado para sobremesa. Arrumar as coisas e voltar aqui à Margem Sul.

Foi cansativo, mas foi mais um fim de semana bem passado. Para o ano lá estaremos de forças renovadas.

Por cá mais um fim de semana em família no terreno d'El Comandante. No próximo festeja-se mais um aniversário do Puto Maravilha. Lá estarei e quem sabe vos traga mais histórias para relatar...

 

sinto-me: Com uma dor de costas...
música: Oh Rama Oh que Linda Rama! Ups isto é da apanha da azeitona!
publicado por Arroto Azul às 22:25
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Domingo, 24 de Setembro de 2006

Arroto Azul nas Vindimas

No fim-de-semana passado eu e o meu amigo Vespas fizemo-nos à estrada e fomos até uma aldeia perto de Ourém, ajudar nas Vindimas.

Assim que o convite me foi feito, não hesitei em aceitá-lo. Isto porque, seria uma experiência diferente, enriquecedora e porque acima de tudo seria partilhada com os meus amigos, o que iria tornar o fim-de-semana bastante animado.

Depois de cerca de 180 km, em cima de uma Honda CBF500, excepcionalmente cumprindo todos os limites de velocidade, havíamos chegado (há a salientar que esta foi a minha primeira grande viagem de mota).

Chegámos a meio da tarde, as vindimas já tinham começado um dia antes e por isso não havia tempo a perder. Foi chegar, vestir a roupa de trabalho e começar a faina.

O tractor ia buscar os bidões com as uvas por volta das dezanove horas. Até lá tínhamos de apanhar todas as uvas. Foi com boa disposição e muita conversa, para que não fossemos comendo as uvas enquanto as apanhávamos, que rapidamente demos conta do recado. Agora, era só esperar pelo tractor que as iria levar do campo até ao tanque onde iriam ser despejadas.


Já com as uvas dentro do tanque, estava na altura de começar a parte mais divertida. Pisá-las… E assim foi. Vespas, eu e mais dois amigos convidados, saltámos lá para dentro, de pés ao léu e cheirinho a chulé. Seguiram-se então cerca de duas horas de pisadelas. Inicialmente, ao pisarmos as primeiras uvinhas temos vontade de citar a frase: “Ai caaaa nooooojo!”, mas depois de começarmos a ficar todos chafurdados e começarmos a sentir os pés bem quentinhos, já nada nos incomoda.

Conforme as uvas iam sendo pisadas, o sumo que se gerava, passava por uma pequena abertura, no fundo do tanque, coberta por uma peneira que evitava assim que grande parte das peles e das grainhas das uvas se esgueirassem para dentro do recipiente, do lado de fora do tanque que rapidamente se ia enchendo da futura “pomada”.

Depois da maior parte das uvas terem sido pisadas, passou-se à fase seguinte que consistiu em juntar tudo o que sobrou num enorme bolo e prensá-lo para aproveitar o maior mosto possível. Ao mesmo tempo o sumo de uva que ia enchendo o bidão, era transportado deste para as pipas, que estavam na adega, através de cântaros, para aí ficar a fermentar.



O trabalho tinha terminado por esse dia e foi sob um imenso céu estrelado que tomámos uns merecidos banhos antes do não menos merecido jantar. Já há muito tempo que não experimentava uma sensação assim tão espectacular… parecia que quando se olhava o céu entrávamos noutra dimensão e nos perdíamos em toda aquela escuridão, ao mesmo tempo que podíamos apreciar estrelas impossíveis de vislumbrar nestas cidades de iluminação tão ruidosa. A última vez que tinha apreciado assim tão bem o céu estrelado foi em Badocha, mas fazê-lo enquanto se dão uns mergulhos…

A noite terminou no café central com uma jogatana de matrecos, rodeados de indivíduos, com cabelos mais curtos de lado e compridos atrás a imitar um vocalista de uma banda heavy metal, passando constantemente com a mão pela parte do cabelo junto ao pescoço, de modo a manterem a forma de um escorrega. Tudo isto, enquanto se podia ouvi-los dizer: “Eu cá prefiro ter uma motorizada e dinheiro para a gasolina para poder levá-las a passear, sim porque elas hoje em dia são muito independentes…” enquanto o amigo interrompia dizendo: “eu cá vou comprar é um Ferrari para poder ter as mulheres que quiser!”.

No dia seguinte, acordámos ao som do latir de para aí uma dezena de cães vizinhos…

Era altura de voltar a formar um novo bolo e prensá-lo novamente. Por isso enquanto o resto dos ajudantes ainda dormiam eu e Vespas, decidimos adiantar trabalho. Depois de exercitarmos os músculos logo pela manhã aproveitámos para tomar mais uns banhinhos no tanque.
 

Este foi sem dúvida um fim-de-semana diferente, com muita galhofa e paródia à mistura. De certeza, que a colheita deste ano dará uns dos melhores vinhos dos últimos anos. Para já, o que sei é que valeu o esforço, já que tanta espremidela deu mais de mil litros de vinho!


Nota muito importante: Grande parte deste sucesso teve origem no tamanho dos meus pés!

publicado por Arroto Azul às 00:00
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